quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Transmutação

A lágrima daquilo que não foi
é o sorriso daquilo que ainda poderá ser.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Na cama vazia

Chega a noite e não consigo dormir.
Sozinha no escuro do quarto,
na cama busco um abraço
que eu sei que não vou encontrar.
Quero teu carinho,
quero tua segurança,
quero ouvir sonhos de um nós dois.
Mas você não vem...
você não ouve...
você não fala...

Minha noite é madrugada
porque deitada na escuridão,
na cama vazia e gelada,
meu único abraço é a solidão.

Voar

A vida passa, a vida voa.
Já cansei de viver a vida de outra pessoa.
Pode ser que eu siga sozinha,
pode ser que eu não saiba aonde vou chegar.
Mas farei o meu próprio caminho
agora é a minha vez de voar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Inconstância

Eu corro até a beira do penhasco
disposta a me lançar no vazio e voar
mas, subitamente,
paro.
Mudei de ideia:
vou na direção contrária
encontrar o rio e nadar
mergulhar nas águas mais profundas
e me afogar.
Então corro.
Lá chegando, à beira da cascata,
prestes a me lançar às águas
subitamente
eu paro.
Mudei de ideia:
não quero mais nada.
Quero ficar onde estou.
Não, não!
Quero viver no deserto,
ou melhor,
na selva,
ou, não, melhor ainda,
numa geleira.

Ah, inconstância!
De onde vêm tantos desejos contrários,
tantas incertezas,
tanta insegurança?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Atire!

Quero aprender a dizer palavras
aquelas palavras que precisam ser ditas
sem temer o pensamento ou reação de ninguém.

Quero atirar as verdades doloridas,
como dardo ao alvo,
como tiro certo na cabeça do inimigo,
para matar o tormento de contê-las
e também os motivos que as provocam.

Quero não ter medo de ser de verdade
de ser gente,
de tentar e falhar,
de ousar e criar,
de caminhar buscando chegar.

O que há em mim já não se contém.
Meu peito,
a ponto de explodir,
arde em fogo que não se vê.
Mas eu sinto.

Sou arma de fogo,
bala de revólver,
gatilho pronto para atirar.

domingo, 15 de novembro de 2009

Realidade

Acorda, menina!
Você não tem mais 15 anos,
mas não tem cinquenta ainda.

[ou seja, nem brincar de casinha e nem educar filhos...]

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Quem sabe?

Dizem que quando é
a gente sabe
simplesmente sabe.
A gente não pergunta
não questiona
não duvida.
É. Ponto.

Sempre me iludo em achar,
mas na verdade nunca sei.
Tantas vezes achei que sabia
e agora já não sei mais...

Saberei que sei quando chegar a saber?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Meu

Venha me acompanhar
em um dia de sol e de mar
venha descobrir comigo os doces da vida
venha buscar comigo a luz
quando tudo for sorriso e alegria
Seja meu amigo

Venha me buscar
em uma noite escura e sem luar
venha afastar meus medos e monstros
venha me trazer paz
quando eu me sentir pequenina e frágil
Seja meu heroi

Venha me confortar
em uma manhã iluminada ao despertar
venha acordar às delícias de um novo dia
venha me envolver em seu abraço
quando tivermos um único respirar
Seja meu amor

Seja meu

domingo, 1 de novembro de 2009

Pedaços de canções (7)

Sometimes
all I need is the air that I breathe
and to love you

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O dragão

Lá vou eu
enfrentar o dragão há tanto tempo temido.
Não sei o que me espera,
mas eu espero há muito tempo.
Em esperar quase me perdi,
e em me perder foi justamente que passei a temer.
Eu já fui mais forte.
Eu já desejei o confronto ardorosamente,
certa de vitória.
Mas agora minha armadura já não é tão forte,
minha espada já não tem o mesmo fio.
Também já não conheço mais meu inimigo,
não sei o tamanho de suas labaredas
nem a força de seus golpes.
Sigo
como o condenado ao patíbulo
esperando que meu derradeiro argumento
ainda seja válido para me salvar.
Que venha o dragão e,
se eu vencer,
que venham também os louros e os bálsamos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Me deixa

Me deixa ter dias com 50 horas
semanas com 10 dias
e meses com 5 semanas.

Me deixa ser adolescente só mais um dia
só mais uma semana
só mais um mês.

Me deixa não pensar em nada,
me deixa ser quem eu não penso,
me deixa querer o que não planejei,
me deixa andar sem querer,
me deixa ser sem planejar.

Me deixa brincar de gente grande,
só mais um pouquinho,
só mais uma vez.

Me deixa não ter hora pra acordar,
assistir tevê até dormir,
ler qualquer coisa só pro tempo passar.

Me deixa não ter que responder,
me deixa sonhar até o dia nascer,
me deixa cantar o mais forte que eu puder,
me deixa desafinar se eu achar bonito,
me deixa errar a questão número 47,
me deixa ser a última da fila,
me deixa tocar boogie-woogie no piano,
me deixa ser a gordinha desajeitada que tropeça no cadarço.

Me deixa ser imperfeita.

Me deixa ser criança.

Me deixa ser pequena e ao mesmo tempo grande.

Me deixa ser eu.

Me deixa.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Brisa

Vem como um afago suave
toca com as pontas dos dedos a minha pele macia
balança meus cabelos
me arrepia

Brisa
sopro leve em meu ouvido

Me abraça
Me envolve
Me leva

Diz baixinho em meu ouvido

"... te amo"

[ah... amor! Agora se entende o tempo de silêncio das palavras. Estou ocupada demais em aproveitar as delícias das nossas interações]

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Aiai...

Felicidade...

O sol brilha mais intenso
e até quando a chuva chove,
chovem gotinhas de cristal

Aiai...

Ventania é brisa afagando os cabelos
e o frio é pra correr pro abraço mais gostoso
pra me esquentar de carinho e alegria

Aiai...

Felicidade!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Nova vida

luz do sol nos buraquinhos da persiana

um sorriso

eu desperto para um novo dia
é uma nova vida que começa
tudo novo
tudo lindo
tudo amor

sim, trabalho
muito trabalho nos trouxe até aqui
nosso encontro não foi repentino
o tempo torturou nossa alegria
mas enfim chegamos
enfim sinto a luz me acordando

é um novo dia
é uma nova vida

um sorriso

muitos sorrisos


[sim, cheguei aqui! minha casa, minha conquista, a materialização de anos de sonhos e trabalho. amor, muito amor, e a gratidão pelo amor de todos que me acompanham e zelam pela minha felicidade. parabéns, vocês conseguiram me ajudar a conseguir!]

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Minha casa

Eu quero chegar
fechar a porta atrás de mim
e deixar todos os problemas
do lado de fora,
descansar o corpo e a mente.

Minha casa,
meu refúgio,
minha fortaleza,
onde nada pode me atingir,
onde posso me fazer companhia,
onde tudo é meu.

Meu mundo,
meu lar,
meu paraíso,
onde eu crio minhas certezas,
onde construo minhas forças,
onde produzo meu sangue e cultivo minha alma.

[ah, casinha... ainda nem bem cheguei e já tive que me afastar... A distância me dá uma agonia gigantesca, como separar dois namorados que há pouco se apaixonaram...]

terça-feira, 28 de julho de 2009

Quando eu odeio gente

Eu nunca odeio gente.
Aliás, eu geralmente amo muito fácil.
Me apego rápido,
admiro as maravilhas de cada indivíduo.
Não consigo sentir raiva,
não consigo não perdoar.

Mas...

Tem vezes em que eu odeio gente.
Odeio quem se pendura em mim
só enquanto precisa
gente que me suga
me absorve
e usa minha cabeça como degrau
pra depois pisar em cima,
abandonar sem mais nem menos
depois de retirar o que lhe interessava.

Eu odeio gente assim.

Porque pra mim
gente é amor
gente é pra cuidar
gente é pra se acompanhar
gente é pra se ajudar
gente é pra dividir
gente é pra somar
gente é pra ter pra sempre com a gente

Odeio gente que se aproveita
e depois se esquece de mim.

[e aqui nada a ver com paixão, ou com amores passados. E, a quem servir, que se sinta mesmo tocado e atingido por este protesto.]

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Doente

Eu quero sumir
quero desaparecer
e me afogar no mar da minha própria ilusão

A quem eu penso enganar,
todo este tempo enganando apenas a mim mesma?
Criança iludida
que não quer ver o sangue escorrer da ferida.

Sim, eu estou doente.
Eu estou doente há muito tempo.

Agora tenho pouco tempo.
Mesmo com tanta vida lá fora
sinto a vida acabando aqui dentro.
Mesmo com o coração jovem,
a mente cheia de ideias,
a alma querendo ser livre pra voar
e a inteligência que pode me levar a qualquer lugar...
aqui dentro eu sei
está aquilo de que tanto tenho medo
está aquilo que sempre tentei negar.

"Não há tempo a perder", diz minha consciência de criança
mas é essa a mesma consciência que me leva pra longe da cura,
que me faz aproveitar a vida em largura
e não em distância.

É tempo de parar.

É agora ou nunca,
não há mais tempo a perder
com aquilo que não vale a pena.
É a chance que tenho de salvar minha vida
e realmente vivê-la enquanto a tenho.

Aqui dentro está tão escuro
tão frio
tão solitário...
mas é a verdade.

Não há mais tempo a perder com mentiras.

Quero viver.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Palavras soltas

... e tudo o que eu faço é sonhar
e esperar

nada mais

eu não respiro:
eu suspiro

Morada

Eu sempre lhe desejei
mas não sabia que você era você
e tudo o que eu imaginava estava ali.

Sonhava com você
com seu aconchego morno e luminoso
porta aberta a me acolher.

Eu sempre lhe procurei
em lugares onde você não estava
mas você sempre esteve ali.

Sem eu esperar, você apareceu e me acolheu.
Hoje você é meu refúgio, minha segurança.
Cuido de você e você cuida de mim.
Com você sou feliz!

[ah, minha casa nova!... Como é linda, maravilhosa, querida, sonhada, desejada, planejada, cuidada... Uma nova luz, um novo olhar, um novo amor, uma vida nova!]

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Pedaços de canções (6)

Pra rua me levar...

(Ana Carolina e Seu Jorge)

Não vou viver                  
como alguem que só espera um novo amor
há outras coisas no caminho aonde eu vou
as vezes ando só trocando passos com a solidão
momentos que são meus
e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
sem me precipitar e nem perder a hora
escuto o silêncio que há em mim e basta
outro tempo começou pra mim agora

(...)

É, mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
promessas que me fiz e que ainda não cumpri
palavras me aguardam o tempo exato pra falar
coisas minhas
(...)
já sei olhar o rio por onde a vida passa....


[realmente, um pedação. De novo, a preguiça de
procurar o compositor verdadeiro.
E não, não se aflija nem se comova; também não se empolgue.
Esta é só pra mim. Não é pra ninguém ler. Mesmo.]

As canções

Minha cabeça está povoada de canções
Canções que não são minhas
mas que ouço de passagem
e acabo adotando como amigas queridas

Elas sabem o que sinto
Elas sabem como estou
Elas seguem meus sentidos
Elas vão aonde vou


[por isso tenho falado tanto através das canções que ouço. Quando o congestionamento de emoções, sentimentos e percepções não permite que as palavras nascam de mim, são essas canções que me acalmam, que falam tudo aquilo que não quero calar]

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pedaços de canções (5)

[na verdade, uma canção inteira... não sai da minha cabeça, muito bonitinha. Só não tive paciência pra confirmar o compositor; copiei como estava no cifraclub. Sim, bem amadora!]

Final Feliz

(Jorge Vercilo)

[Intro:] D7M(9) Bm7(11) Bm7/A Em7(9) Gm6

D7M A/C#
Chega de fingir
Bm7 Bm7/A
Eu não tenho nada a esconder
G7M Gm6
Agora é pra valer, haja o que houver
D7M A/C#
Não tô nem aí
Bm7 Bm7/A
Eu não tô nem aqui pro que dizem
G7M Gm6
Eu quero é ser feliz e viver pra ti

D7M A/C# Bm7 Bm7/A
Pode me abraçar sem medo
G7M D/F# F7M B7(9M) B7(b9)
Pode encostar tua mão na minha
Em7(9)
Meu amor,
A7(13) G/A F#m7(9) B7(9M) B7(b9) B7
Deixa o tempo se arrastar sem fim
Em7(9)
Meu amor,
A7(13) G/A F#m7(9) B7(b13) B7
Não há mal nenhum gostar assim
Em7(9)
Oh, meu bem,
A7(13) G/A F#m7(9) B7(9M) B7(b9) B7
Acredite no final feliz
Em7(9) Gm6 D7M
Meu amor, meu amor...


terça-feira, 7 de julho de 2009

Pedaços de canções (4)

"Ah, eu vim pra te dizer
que o instante de te ver
custou tanto penar
Não vou me arrepender
só vim te convencer
que eu vim pra não morrer
de tanto te esperar
Eu quero te contar
das chuvas que apanhei
das noites que varei
no escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
as marcas que ganhei
nas lutas contra o rei
nas discussões com Deus
E agora que cheguei
eu quero a recompensa
eu quero a prenda imensa
dos carinhos teus"

[Ah, o Chico... ele sabe dizer direitinho o que uma mulher quer ouvir!]

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sem título

Saio de mim mesma
perco-me na vastidão de minhas certezas
e no universo daquilo que a cada dia aprendo que ainda não sei

Eu ando por caminhos diferentes
Eu vou e venho por lugares onde nunca antes andei
mas dos quais guardo saudades como se fossem velhos amigos

Não sei o que se passa no turbilhão do meu pensar
eu vou girando no furacão dos sentimentos e sensações
indo ao sabor do vento, das escolhas, das vontades, das verdades

Não tenho chão, não tenho céu
nada me detém, nada me contém, nada me regula
apenas as limitações que eu mesma me imponho

só pra que a dificuldade possa dar mais sabor à jornada

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O vento

Olha só o vento que vem vindo...
Vem trazendo novidades
vem levando o que não serve mais

Varre nuvens
varre folhas
brinca com as roupas no varal

Vento vem
e leva meu chorar
traz a chuva que vai me refrescar

Pedaços de canções (3)

"Ela é minha menina
e eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
e eu sou o amor todinho dela"

[muito fofa!!]

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Impublicáveis

Eu não sei ao certo
como esses pensamentos vêm parar aqui
Eles começam flutuando, fluindo,
pairando na minha imaginação,
pirando a minha lucidez

Pensamentos brotam sem querer
e vão invadindo o espaço
descontrolados

Até agora eles são assim
Até são bem comportadinhos

Mas o que eu faço com os pensamentos impublicáveis?

domingo, 28 de junho de 2009

Sei lá... (12)

... porque a diferença entre uma obra de arte e um borrão

está na cor, na forma e na intenção.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sei lá... (11)

... porque certeza é a gente mesmo que constroi.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Primavera invernal

É inverno em Porto Alegre
e o frio é companhia constante
As noites são longas
e a serração cobre as ruas como um véu

Amo as típicas manhãs gélidas
em que o sol luminoso
chega manso e bem-vindo como uma carícia

Eu quero o calor de um abraço
o aconchego morno dos amigos
e o toque cálido de um beijo apaixonado

Meu coração está povoado de cores
dos cinzas aos vermelhos
em dias de chuva, de nuvens ou de sol

O frio do inverno é meu amigo
e os campos não deixam de florir
É primavera em mim
em pleno inverno

terça-feira, 23 de junho de 2009

Solidão acompanhada

A solidão de um quarto vazio
Apenas eu
e coisas.
Vazio
frio
gélido, na verdade.

Fecho os olhos
apago a luz
silêncio.
Solidão
abandono
ausência total.

Porém...

Passeando por meus pensamentos
encontro-me povoada
em cada uma de minhas memórias.
Neles encontro mil lugares
mil pessoas
mil ideias
infinitos sonhos
e o amor que é meu,
que sempre foi.
Isso tudo
é o que me faz assim
é o que me faz ser eu
me faz estar em mim.

Eu

E, no fim,
a solidão me é impossível
porque aonde quer que eu esteja
sempre tenho a mim.


[mamãe, não se preocupe por eu estar saindo de casa. Arrumei uma ótima companhia, e estamos completamente apaixonadas... eu por mim e mim por eu!]

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sintonia

À meia luz
olhando em meus olhos
você me diz aquilo que eu já sabia

Porque eu também sinto


[quebrando o muro]

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pedaços de canções (2)

"A vida tem sons
que pra gente ouvir
precisa aprender a começar de novo
É como tocar
o mesmo violão
e nele compor uma nova canção
(...)

Ah, coração
se apronta pra recomeçar
Ah, coração
esquece esse medo de amar de novo"

[um pedação]

domingo, 14 de junho de 2009

Pedaços de canções

"Meu amor/cadê você?/Eu acordei/não tem ninguém ao lado"
"Me dê a mão vamos sair pra ver o sol"


[Encontrei. Um lindo dia de sol, realmente. Suave, aconchegante. Quase um abraço.]

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Quando eu saio de mim

Às vezes acontece
É como se eu estivesse fora do corpo
Como se eu vivesse uma outra vida
Minha realidade é outra
Não é esta
Mas estou presa a este momento
Logo
Não sou eu
Então eu saio de mim
Vou viver outra vida
Vou viver nos meus sonhos
Vou deixando este corpo morrer

Quando eu saio de mim
eu me esqueço daquilo que sou
de tudo que conquistei
do que eu amo
e das coisas em que sempre acreditei

Quanto eu saio de mim
eu negligencio o que sou
eu desperdiço meus valores
esqueço de todas as pessoas
eu cuspo sobre meus maiores amores

Quando eu saio de mim
não tenho vontade de nada
não consigo pensar em nada
não consigo fazer nada
não existe ninguém

Prefiro quando estou em mim
porque amo demais
porque sinto demais
porque sou demais
Sou pura, completa, complexa
Sou consciente, consequente, inteligente

Quando estou em mim
estou viva

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sei lá... (10)

... porque o coração é meu

e ele faz comigo o que ele quiser!

O que tenho de ti

Procuro cercar-me de tudo teu quanto posso:
teus olhos
tuas mãos
tua voz
teus sons

De ti, quase nada tenho
apenas os olhares furtivos -
que querem dizer eles?
apenas os abraços calorosos -
até onde vai seu calor?
apenas os cuidados amigáveis -
serão eles tão ingênuos assim?

Mas o que tenho
já me faz sonhar
me faz sorrir
faz desejar

Assim, cerco-me do pouco teu que já tenho,
ansiando por cada novo encontro
breve encontro
maravilhoso encontro

mesmo que outros pudessem julgar
que de ti nada tenho ainda
encontro teus tesouros
pouco a pouco

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Devaneio

Persigo-te pelas fotos,
mas não é ali que estás.
Busco teus olhos em cada lembrança,
Vasculho sonhos em busca de teu toque, teu cheiro, tuz voz.

Terei sonhado?
Qual é a textura da tua pele?
Como é o perfume que se esconde em teu pescoço?
Com que palavras doces me inebriaste assim?

Minhas visões se confudem na penumbra da noite,
em momentos de sentir-me em teus braços,
(seria sonho?)
de suavemente adormecer e acordar ao teu lado,
(realidade!)
mas depois abro os olhos e estou em qualquer lugar,
longe de ti.
Então não sei mais
se te sonhei
se te vivi.

Mas ainda te persigo...
pelas fotos...
pelas lembranças...
devaneio...

domingo, 31 de maio de 2009

Em breve...

[Tenho que contar um sonho. Porém, a narrativa vai ter que esperar, porque ainda não descobri se foi mesmo um sonho. Acho que foi, porque quando acordei já não estava mais lá. Se bem que... no próprio sonho acordei várias vezes, de maneira que não consegui saber ao certo quando foi que de fato acordei.

Não sei. Escrevi pra me lembrar. Mas acho que não tem nenhuma chance de esquecer...]

sábado, 30 de maio de 2009

Saudades dela

Ela estava sempre lá
em meio a suas bugigangas
inventando mais um jeito
de tranformar bagunça em algo surpreendentemente belo.

Ela pedia "toca aquela"
e cantava com sua voz doce de soprano,
com aquele vibrato típico de quem cresceu ouvindo rádio
em um tempo em que o cinema ainda era um luxo.

Ela contava suas histórias
suspirava seu grande amor
detalhava todo o sofrimento e as glórias do caminho construído
e o orgulho da criação que conquistara e da qual eu era parte.

Ela.

Sempre a confundia com Rita Hayworth,
por causa da personagem que tinha seu nome.
Mesmo que ela vestisse calças de veludo e o blusão tricotado à mão,
era no longo vestido, com luvas de cetim, que eu a imaginava jovem.

No final, foi no vestido longo de veludo azul que a vi pela última vez
linda como sempre...
mas a luz intensa de seus olhos verdes
não seria vista nunca mais neste mundo.

Ela foi uma deusa com três faces:
a menina, a mãe, a sábia.
Eu via cada pedacinho de mim que havia saído dela
os quadris largos, a voz pequena, os sonhos...

Hoje ela mora mais longe
lá onde só a saudade consegue chegar.
Hoje eu levei flores, derramei lágrimas.
Mas sempre carrego comigo as marcas de todos os presentes que ela me deu com sua vida.

[Vó... nem acredito que já fazem dois anos! Às vezes parece que foi ontem, às vezes parece que já faz muito tempo. Tem dias em que abro a janela do meu quarto e parece que ainda posso te ver lá do outro lado da rua, na tua janelinha, enquanto fazias tricô; ainda espero que levantes o olhar, me enxergue e acene. Ainda canto as tuas canções. É nessas lembranças preciosas que te mantenho viva, e que sobrevive eternamente o amor que me ensinaste.]

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Aquela listinha...

Uma amiga me contou que a gente deve cuidar muito o que deseja.
Ao pensar na alma gêmea, a gente deve descrever detalhadamente o que quer - e algumas coisas que não quer. Quanto mais positivamente a gente pensar em uma pessoa com essas características, maior nossa chance de realmente encontrá-la.

Parece brincadeira de criança... mas não custa brincar. Aliás, ando precisando.

Então, eis minha listinha:

completamente apaixonado por mim (e por nenhuma outra ou outro);
que me ache a mulher mais linda do mundo;
que goste de passear, viajar, desbravar;
que entenda as maluquices do meu trabalho e respeite minhas escolhas profissionais;
que simpatize com a minha alimentação alternativa;
que esteja sempre se renovando e aprendendo;
que curta um friozinho na barriga;
com quem haja experiências pra trocar e muita sintonia;
que goste de dormir abraçadinho e me abrace até eu dormir;
que me salve quando eu precisar;
que saiba rir e chorar comigo;
que confie em mim;
que tenha um olhar que me arrepie;
apaixonante, muito querido, inteligente, culto, charmoso, gentil, carinhoso, compreensivo, bonito, paciente, divertido, responsável, cavalheiro, forte, autêntico, sincero, espontâneo;
bom de conversa, bom de dança;
que tenha beijos e um abraços maravilhosos;
apreciador de música;
que toque um instrumento musical que não seja tuba, trombone, trompa ou gaita de fole;
trabalhador, estudioso, mas que sempre ache um tempinho pra nós;
que tenha um cafuné gostoso;
que tenha senso de humor pra aturar minha família doida e se dê muito bem com ela;
maior que 1,80m;
que goste de cachorros (mas que não dê demonstrações excessivas de afeto pelo "totó" como sessões de lambidas no rosto, boca, pescoço... eca);
muito cheiroso e limpinho (nada de chulé ou sovaco fedido, definitivamente);
muito companheiro pra indiadas, festas, andanças, estudos, ou mesmo pra ficar à toa;
com vida própria;
que goste de natureza, de festa, de viajar e de ficar em casa de vez em quando;
bom caráter, bom coração, meigo;
que tenha sonhos pra perseguir e conquistar;
que sonhe e vá atrás de sonhos junto comigo e tenha objetivos de vida que combinem com os meus;
que seja luz na minha vida e que ame a luz que tenho pra oferecer;
que não seja mais um problema pra enfrentar e não me encare como um dever;
espontaneamente romântico, que curta bobices como admirar a lua e as estrelas ou o por do sol;
que não queira só brincar e depois me jogar no lixo;
que me enxergue;
que me escreva coisas bonitas, letras de música, que cante pra mim (sendo no mínimo afinadinho);
que tenha olhos doces, mas também cálidos; que me ame com a inocência de uma criança e com o ardor de um grande amante;
que queira ficar comigo pra sempre, e com quem eu queira também ficar pra sempre;
que acredite que um relacionamento duradouro não seja sinônimo de estagnação;
que seja uma grande paixão, um grande amor e meu melhor amigo.

Então... acho que ainda vou descobrir mais qualidades desejadas ou defeitos indesejados. Sou muito exigente? Sim. Cada vez mais. Porque eu ofereço de mim mesma proporcionalmente ao que exijo do outro.

Ele há de existir em algum lugar. Mas se não existir, antes só do que infeliz.

No momento estou muito bem, obrigada!

[bem, e se você se deu o trabalho de ler tuuuuudo isso, parabéns! Já pode se considerar um bravo cavaleiro enfrentando as labaredas do dragão]

Sei lá... (9)

... porque eu acho que já superei.

Mas por que ainda dou bola pra esse papinho?

Tarde demais pra brincar

Mamãe não quer que eu brinque.

Ela diz que já sou muito grandinha
que meu tempo de bonecas já passou
que agora eu tenho que ser séria
que eu tenho que resolver a minha vida

Ela sempre me disse isso
que eu tinha que ser madura
que a vida não era brincadeira
que eu tinha que estudar pra ser alguém

Ela falava todas as vezes
que eu não era mais criança
que eu já estava bem crescidinha
que era pra cuidar da casa, da mana, da lição

Ela dizia repetidamente
que eu não devia namorar
que era feio experimentar
que eu tinha que arrumar um marido pra casar

Quando eu pude brincar?
Quando eu pude ser a menininha que sonhava?
Quando eu pude não me preocupar com o amanhã?

Hoje sou assim:
esta mulher-menina
com um coração brincalhão
que me prega peças
que não sabe aonde quer ir
que se apaixona sem pensar
que sente com a pureza de uma criança.

Me deixa brincar agora,
que a minha brincadeira
é a vida de verdade.
Agora a boneca sou eu
e eu mesma decido como vou brincar.

Antes que maio acabe

Eu vou sentir falta
Já sei como é...
Um dia, tudo termina;
Este mês, esta estação, este ano.

Eu sei, já senti muitas faltas
Posso contar como é...
A gente sempre quer que dure pra sempre;
Tudo o que é bom a gente quer eternamente.

Mas eu não sei mais,
Sempre sinto saudade...
Nem tanto dele ou dela, nem de nós, nem de vocês, nem deles
Sinto falta de mim
no tempo em que estive lá.

Eu quero meus tesouros pra sempre
Mas eu não sei até quando eles estarão ali.
O que me acompanha nesta estação
talvez já não esteja comigo no verão.

Então

Antes que maio acabe
meus tesouros são estes
e eu os abraço enquanto posso.

[sem surtos. Caso você leia, este não se aplica totalmente a você. Não é só seu. É meu, antes de tudo. Um suspiro de amor, perante a efemeridade da vida. Às vezes a gente perde as pessoas, sem mesmo ter descoberto o que há de precioso nelas. Às vezes a gente passa por tremendas dificuldades; mas a gente sobrevive. Eu ainda estou aqui.]

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma letra do Vinícius

[Canção que não sai da minha cabeça...]

Ouve o silêncio

Cala
ouve o silêncio
ouve o silêncio que nos fala tristemente
desse amor que não podemos ter.

Não fala
fala baixinho
diz bem de leve um segredo
um verso de esperança em nosso amor.

Não, oh meu amor,
canta a beleza de viver
saúda o sol e a alegria de amar
em nossa grande solidão...

[Do 1º caderno do ciclo "Canções de Amor", de Claudio Santoro e Vinicius de Moraes.
Para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=DsrsziDdudk]

Ah, como eu adoro isso...

Droga.

Não consigo pensar.
Não consigo dormir.
Não consigo trabalhar.

Meu dia se resume a horas em frente à tela do computador:
algumas delas para compor meu trabalho,
um trabalho de que eu gosto,
mas que se torna cada vez mais difícil.

O que dificulta meu trabalho
são as horas que não dedico a ele.
São as horas em que divago,
navegando por olhares,
suspirando sensações que você me causou.

Nessas horas não sou eficiente
não sou inteligente
não sou competente.
Odeio isso.

Mas por outro lado...
Ah, como eu adoro!!!

[sossega, coração... ]

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sei lá... (8)

... porque eu simplesmente não sei mais.

Só sinto que é bom!

sábado, 23 de maio de 2009

Espera

Ainda não posso
Ainda não devo
Ainda não consigo

Tenho apenas a espera

Um coração machucado
sofrido, dolorido
que ainda não foi curado
animalzinho acuado
com medo da mão de seu protetor

Sei que o amor me espera
ali bem pertinho
naquele braço dado
naquele olhar disfarçado
no beijo que quase não aconteceu

Mas meu coração não está pronto
ainda quer ficar num canto quietinho
bichinho medroso e inseguro
escondido no fundo do ninho
esperando pelo amor que sempre foi seu

[aiai... tempo, tempo... por que tudo que é bom vem assim, de surpresa, e me pega escabelada, de chinelo e pijama, e não em traje de festa e com a casa arrumada?]

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sei lá... (7)

... porque tem coisas que a gente não entende, não explica e não justifica,

mas que não vive sem!

sábado, 16 de maio de 2009

Inspirações

Minhas melhores inspirações têm se perdido no vento,
Na brisa de uma manhã de sol,
Na última vez em que pensei em você,
Não faz nem cinco minutos...

As palavras mais doces
se deixam levar pela pouca memória,
depois do encantamento com que surgiram
e por alguns efêmeros instantes existiram.

Eu as perco,
eu as deixo escapar.

Parece que de propósito,
eu não as escrevo.
Elas vivem ali, naquele tempo,
e tudo o que guardo comigo
é o sorriso solitário que elas me provocaram:
luminoso, tímido e cálido como aquela manhã de sol
e a lembrança daquele olhar...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Primavera outonal

Qual o problema em sentir?
Por que poderia não ser bom sorrir?
Onde está o lado ruim de tanta alegria?

Não sei!

Não vejo por que não ficar boba de felicidade

Se a vida lhe sorri,
sorria de volta!

Se a vontade é flutuar, cantar e dançar
por um sentimento bom que brota no peito sem explicação...

Tanta luz... quero mais é ser feliz
nesta primavera que desperta em mim
em pleno outono!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ruído

Aquele silêncio gritava tão alto
que eu não conseguia mais me ouvir.

Agora eu posso até cantar!

Adolescente

Hoje acordei meio adolescente.

Não tô com vontade de ser produtiva.
Tô suspirando a cada cinco minutos.
Meu coração pula.
Meus olhos brilham.
Meu pensamento é todo de uma ideia - uma imagem - uma canção.
Tenho a impressão de que posso abraçar o mundo.
Não sem sentir um medinho da aventura.

Pra contrariar

Eu quis muito
eu ganhei
aí não quis mais
e quis perder.

Eu perdi
mas voltei a querer
e não tinha mais.

Sem ter,
muito quis não querer
mas vi que queria
queria mesmo.

Ainda tento não querer
mas não consigo

porque lá no fundo eu ainda quero.


[confuso? bem, então imagina só a confusão que gerou tudo isso...]

terça-feira, 5 de maio de 2009

Autoapaixonada

Eu me pego sorrindo
e nem sei o porquê.

Eu saio da sala
eu deixo os amigos
eu acabo o trabalho
eu desligo a tevê...

e sorrio sozinha um sorriso satisfeito.

Subo na minha nuvem
saio flutuando
me abraço, me beijo
me olho e me digo
"oi, gracinha! vem sempre aqui?"

Acho que me apaixonei por mim.

E vai dar em casamento!

sábado, 2 de maio de 2009

Sei lá... (6)

... porque por mais que a gente consiga controlar um monte de coisas, em certos casos o mais difícil é controlar a si mesmo.

domingo, 26 de abril de 2009

Silêncios

Desenho teu rosto nas pontas de meus dedos
perco-me nas linhas profundas
nas curvas suaves
retraçando teu perfil

Teus olhos fechados
assim como tua boca
nada me dizem
quietos, mudos, silentes

Procuro decifrar teu pensamento
mas a tarefa é impossível
pois nem mesmo quando me falas
consigo te desvendar


[Este ficou em silêncio um tempão. Não senti que estivesse terminado, então guardei o rascunho. Bem, já faz mais de um mês que não mexo nele. Antes que morra, resolvi deixar nascer assim. Inacabado, quase como o sentimento que o gerou. Acho que este silêncio fala mais do que eu mesma pude me dar conta.]

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Esperando por você

Sim, isto é pra você.

Você, que eu imaginava que jamais viria até aqui,
que veio por uma curiosidade inusitada,
que nunca poderia prever que isto estaria escrito aqui, assim,

só esperando por você.

Sim, estas palavras são pra você.

Você não acreditou quando leu,
pois não acreditava que eu seria capaz de escrevê-las,
mas elas estão aqui, claras, explícitas, jogadas na parede

só esperando por você.

Sim, elas servem pra você.

Você leu
e sentiu
e lembrou
e entendeu
e não acreditou.

Sim, eu escrevi.

Não era pra ninguém ler
mas estas palavras estão aqui

só esperando por você.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Nota mental

não assistir a filme romântico, nem ouvir música romântica, nem presenciar casais românticos por um bom tempo.

risco de quebrar a TV, qualquer tocador de música ou a cara dos pombinhos.

cansei dessa baboseira.

(mas ainda morro de inveja)

Sei lá... (5)

... porque a gente sabe que é verdade quando a gente não precisa de muita explicação pra acreditar.

sábado, 4 de abril de 2009

Resgate

Num cantinho empoeirado
havia um blogue abandonado.

Coitadinho, escondidinho...
lá onde ninguém podia ler.
Ele queria ser lido, pobrezinho,
mas nunca chegou a ser.

Palavras bonitinhas nasceram ali,
com um amor que se esqueceu.
As palavras ali ficaram,
mas a senha do login a autora perdeu.

Hoje passo por aquela tela rosada
e as palavras que leio me deixam aliviada
por ver que este coração hoje adormecido
já foi capaz daquele sentimento tão querido.


=====

Uma das coisas mais bonitinhas que já escrevi, resgatada do blogue cuja senha se perdeu:

Quando faltam as palavras

Por tudo aquilo que com palavras não consegues expressar,
não te desesperes:
eu compreendo quando encontro teu olhar


==========================================

Tantas e tantas vezes eu despejei palavras...
eu as derramei impiedosamente sobre o papel...
Em vez de derramar o pranto,
eu derramava letras
desfiava horas a escrevinhar.

E

De repente
não mais letras
não mais palavras

Silêncio: o papel em branco

Porque lágrimas já não tenho mais
Agora só sorrisos
Só alegrias

O que sinto é tão grande
que não cabe em mim
não cabe em papel
não cabe neste mundo

Mas cabe em um olhar profundo
Aquele olhar que não é meu
mas que me dá de si
e se faz nós
em mim

(Wednesday, December 20, 2006)

Desespero

Ah, eu vou me debulhar em lágrimas
eu vou cortar os meus cabelos
eu vou arranhar os meus braços
eu vou morder os meus lábios

Essa agonia não me deixa, não me abandona!
Não me abandona!
Não me deixa!
Me consomem todas as dores da minha inquietude
E essa solidão acompanhada me incomoda, me incomoda, me incomoda...

Eu me flagelo pra me exorcizar
eu não quero mais pensar
eu não quero mais saber
eu não quero mais tentar
eu não quero mais querer



[ops, mais um que escapou... azar! não era pra ninguém ler mesmo. senti - escrevi. pronto.]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sei lá... (4)

... porque às vezes a gente enxerga, mas finge que não, só pra continuar tendo algo do que reclamar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Quando?

Quando foi que deixamos de brincar,
que desaprendemos a sorrir,
ou que esquecemos de amar?

Quando foi que passamos a sofrer,
que esgotamos a ternura,
e nossas palavras passaram a doer?

Quando foi que a sombra se espalhou,
que perdemos a tola inocência dos passeios,
ou que o carinho se acabou?

Quando,
me diz,
quando foi que eu te disse
que eu queria crescer desse jeito,
que eu queria trocar o riso leve
por um semblante assim tão grave?
... se tudo o que eu queria
era apenas um carinho simplório
a doçura de uma mão pra atravessar a rua
um sorriso a me esperar no fim do dia...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sei lá... (3)

... porque é preciso flexibilidade, mas não moleza; firmeza, mas não rigidez.

Enfim... jogo de cintura.

domingo, 22 de março de 2009

A eloquencia dos silêncios

Teus silêncios falam
muito mais do que aquilo que dizes,
aquilo que em conversas intermináveis
em vão tentamos nos fazer entender.

Meus silêncios calam
quando as palavras não deveriam existir,
mas elas insistem em me escapar
e nessa hora meus silêncios tímidos se omitem.

Esses silêncios gritam
mas parecemos não querer escutar.
Nossos silêncios comunicam
aquilo em que não queremos acreditar.

Silêncios, silêncios.
Ouçamos:

...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Terça-feira

Hoje foi terça-feira. Tecnicamente "foi", no passado, porque já passou da meia-noite. Contudo, ainda tecnicamente, se já "foi", é porque já não é mais hoje - já virou ontem. Mas isso só tecnicamente.

Enfim...

Foi um dia normal, como qualquer outro.
Eu acordei, e isso foi normal.
Rolei na cama por mais uma meia hora antes de levantar, o que foi seminormal.
Trabalhei. Normal. Normalíssimo.
Meu pai comprou um carro novo - nem tão normal assim.
No fim do dia fui a uma festa, onde, pra variar, quase não conversei com ninguém. Mas foi legal.
Normal.

E por que raios estou escrevendo todas essas baboseiras normais aqui?

Bem...

É só porque eu não quero falar de mim, nem de nós, nem de vocês, nem de ninguém.
Não quero falar sobre os nossos amores do presente,
nem sobre as saudades e os desgostos de nossas paixões do passado,
muito menos sobre as esperanças e desesperos com os afetos do futuro.

Não quero falar sobre os sorrisos, nem sobre as lágrimas,
nem sobre os presentes falsos que nos damos mutuamente e a nós mesmos,
sobre as dores, os prazeres, as coisas gostosas e aquelas que perderam o gosto.

Não quero falar sobre as mentiras que nos contamos tentando evitar a verdade dolorida
nem sobre as histórias que esquecemos de construir por falta de coragem,
tampouco sobre os desejos mais vis e também os mais elevados que negamos apenas por medo.

Não quero falar sobre essas ilusões todas que inventamos
porque, no final das contas, ultrapassando todas as nossas mentiras,
a gente percebe que todo dia é apenas um dia
apenas mais uma terça-feira.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Autosuficiência

- Eu não quero!
- Não quer o quê? Eu nem te ofereci nada!...
- Por isso mesmo! Antes que tu ofereça, já te digo que não quero!




[Tá olhando o quê? Sim, é só isso! Não entendeu? Ah, te vira, vai pensar aí! Não vou ficar explicando...]

domingo, 15 de março de 2009

Não importa

Ah, como a gente adora ser notado!

Manifestamos sentimentos, idéias, coisas íntimas e coisas profundas
a interlocutores nem um pouco interessados
e se interessados, incompreensivos

Elaboramos pretensas obras primas de nossa mais sincera arte
a apreciadores quase sempre inexistentes
e quando existentes, cegos e insensíveis

A gente escreve com uma certa devoção
mas nunca sabe se alguém vai ler
e quem ler, a gente não sabe se vai entender

Nem sempre a gente consegue o que deseja

É por isso que eu escrevo assim;
mesmo com aquela esperançazinha de que alguém se importe,
a mim não importa.

Não era pra ninguém ler.
Eu escrevi por escrever.



[enfim, nasceu o post de onde veio a idéia do blog.
Quem quiser entender, fique à vontade.
Não importa.
Mas importa sim.]

terça-feira, 10 de março de 2009

Arrogância

- Você é arrogante!
- Quem? Eu???
- É, você!
- Eu não sou arrogante coisa nenhuma!
- Viu? É tão arrogante que não admite...
- Mas você também está sendo arrogante agora!
- Sim, eu sei. Mas pelo menos eu admito.

[onde isso vai terminar? putz... comecei a escrever, mas dois arrogantes discutindo arrogância sempre acaba numa discussão circular. Melhor abafar a polêmica. Por enquanto, pelo menos. Só porque tô com preguiça.

E porque sou uma arrogante também: essa reflexão não merece o meu agora.]

sábado, 7 de março de 2009

Sei lá... (2)

... porque eu talvez goste tanto dos começos

é que persigo tanto os finais.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Simples pedidos

Me nota
Me olha
Me chega
Aproxima de mim teu caminho e me deixa te escolher

Me sussurra
Me fala
Me diz
Murmura no pé do meu ouvido o que eu quero escutar

Me abraça
Me beija
Me envolve
Enlaça meu eu em ti como eu sempre quis sem saber

Me toma
Me bebe
Me sorve
Embriaga minhas noites de insônia e me faz acordar

Me esquenta
Me arde
Me queima
Aquece meu ventre, meu peito e minha face de tanto imaginar

Me sonha
Me vive
Me realiza
Acolhe meus simples pedidos,
desejos perdidos nesta noite insone e sem luar



[desculpa cortar o clima...
esse quase pegou fogo aqui! ufa!
... mas eu não posso deixar de observar:
adoro próclises no lugar errado!]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sei lá...

... porque você não pode ser tudo

mas pode ser um monte de coisa

(calma; não ao mesmo tempo!)

domingo, 1 de março de 2009

Segure minha mão

[um quase "sem-título", impressões em forma de palavras]

Segure minha mão nesta noite escura.
Através da escuridão pálida e desconhecida
leve-me até onde eu possa não sentir medo.

Segure minha mão nesta noite fria.
Quando o vento cortar minha frágil pele
seja meu conforto, meu calor, meu carinho.

Segure minha mão nesta noite longa.
Enquanto o tempo parece congelado
faz-me desejar que ele dure ainda mais.

Segurando minha mão nesta noite,
na ponta de cada dedo um afago.
Tua mão na minha,
nossas almas uma.

Já não tenho medo.


[F., sei que tu não vai ler,
mas mesmo assim
só posso dizer:
obrigada por tudo]

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Explosão

{só pra derramar a "vibe" do momento}

Sai daqui!
Eu não te chamei.
Não me vem com essa,
não me põe a mão no ombro,
me deixa em paz!

Quero ficar sozinha,
não entende que eu não tô pra papo?
Minha cara de resguardo
diz exatamente o que ela quer dizer:
não chega perto!

Tô com raiva e não escondo
e nem preciso explicar.
O que eu faço, o que eu digo,
já era pra te fazer notar
que o que eu ouço, o que eu aturo
não dá mais pra suportar.

Sai de perto,
não te quero aqui.
Não me vem com essa cara de piedade.
Sai daqui,
não me ajuda!
tua incoerência é tua maior crueldade.

{sem metro, quase sem rima, um ritmo agitado e irregular. Bem como a minha raiva}

{Aiai... agora já tá passando.
Acho que escrever tá funcionando.}

Póstumo

Ai, que peninha daqueles poemas
que morrem muito antes de nascer...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ah, pois é... As palavras!

[Mais uma tentativa. Respira fundo, concentra... vai, vai! Não, não me vem com essa de desistir! Escreve logo!]

Ah, pois é...

Antes elas fluíam
escorregavam por entre os dedos ligeiros
pingando da vertente do meu pensamento...
Eu tinha todos os truques,
a tirada ideal,
a ironia comedida e picante,
ou a dramaticidade mais profunda,
o sentimento mais visceral...

Mas agora...
O que é este blog, ô caramba?
Aonde foi o estilo, o humor, o arrepio?
Que porcaria é esta,
já no começo apenas só metaescrita,
palavras soltas,
autocríticas,
palavrões...

Ainda bem que não é pra ninguém ler.
As palavras aqui só existem para eu escrever.
Ou existem por eu escrever...

Se alguém leu,
azar o seu.
O que eu fiz foi só escrever.
Não era pra ninguém ler!

[Viu? Não doeu... Ok, ainda não é assim, uma coooisa que se diga "nossa, que poético"... Mas é só a segunda tentativa. Daqui a uns dias melhora. Uns dias... tipo... uns mil dias...]

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"Palavras, palavras, palavras"... ou "Polifonia mental"

{ok, não custa tentar... vamos a um "post-piloto". Tecnicamente, o post já começou, mas oficialmente ele começa na primeira frase, que vai ser...}


Sei lá...


De repente o silêncio não conseguiu mais ficar quieto
O burburinho das minhas ideias [que agora são escritas sem acento - bendita reforma ortográfica, até eu me acostumar com ela... mas será que é essa a regra mesmo? putz, vou ter que fechar a janela, abrir meu guia em pdf e ler de novo pra ter certeza... ah, deu preguiça; vai assim mesmo, ninguém vai notar]

{continuando}

O burburinho das minhas idéias [putz, tu não acabou de escrever sem acento?? pára de pensar em outra coisa, concentra... escreve duma vez, danem-se as regras. depois alguém vai comentar esta bosta e corrigir, certamente]

{ok, mais uma tentativa...}

[tá, mas peraí... se este é um blog que se espera que ninguém leia, como é que tu já tá pensando que alguém vai ler e corrigir? escreve logo, antes que perca a poesia]

{desta vez vai, saco!}

O burburinho das minhas ideias ecoa em meu quarto e não me deixa dormir

Acordo [do verbo acordar, não o substantivo "acôrdo"; é pra ler "acóóóórdo" - sei lá se tem acento diferencial, só sei que a tonicidade da palavra é essa. Se bem que seria muito mais inteligente mandar as regras de acentuação pra bem longe e acentuar todas as sílabas tônicas. Faria mais sentido. Tá, pára com essa de lingüística - ai, não tem mais trema!!!!! - linguística e escreve a poesia. A poesia, caramba, vamo duma vez!!!]

{aiai...}

Acordo
e o papel não parece mais suportar a velocidade de meus pensamentos
meus dedos correm pelas teclas, veículos acelerados na ponta dos meus dedos
Letra por letra não sinto mais
As frases fluem soltas, ideias [ufa, essa quase foi com acento!] surgem como pontos de luz na tela vazia
que vai se enchendo [tá, já encheu! ainda bem que ninguém vai ler esta merda... até eu já perdi a paciência com esses pensamentos paralelos. Morreu a poesia. Maldita polifonia...]