quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

futuro?

parece que o tempo parou

eu aqui esperando a vida começar
sem me dar conta de que ela é o que aqui está

futuro, futuro, futuro...
o que é esse bendito de que todo mundo fala,
senão apenas o momento daqui a pouco
um pouco depois do agora
um pouco antes do nunca
com uma pitada de para sempre?


quando...

quando eu pensei
que até que enfim poderia arriscar
que seria livre pra sentir
quando finalmente vieram a força e a coragem
pra me soltar das amarras que me sufocavam...

toda as suas fragilidades me vêm juntas
e o meu instinto é proteger você
como eu protejo todo mundo
como eu me protegia com medo do que podia ser...

e me encontro aqui
sufocada ainda
dolorida ainda
prestes a explodir
de tanto conter

com tanto pra aprender
tanto pra sentir
tanto pra viver...
até quando?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

aproveitar a noite

eu queria poder não dormir

passar a noite em claro,
aproveitar a noite
para ler aquela pilha de livros
que eu prometi ler pra ter ideias melhores

passaria a noite em claro,
aproveitaria a noite
para ouvir aquela lista de canções
que eu prometi ouvir pra ser mais musical

e

como se uma única noite bastasse
eu acordaria no dia seguinte
pra ser uma nova pessoa


terça-feira, 18 de setembro de 2012

esqueci

eu ia escrever sobre a beleza cristalina das gotículas de chuva na vidraça
sobre a melancolia bonita da paisagem cinza e pontilhada das luzes dos postes

mas eu esqueci

eu esqueci que desaprendi a fazer poesia

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

só podia ser teu

de repente eu vi o teu sorriso,
como se nunca o tivesse visto antes.
ele se revelou para mim,
como uma visão virginal.
nesse momento eu percebi
que o teu sorriso era o mais lindo do mundo,
cristalino como teus olhos verdes cheios de bondade

curioso como ele sempre esteve ali,
o sorriso, logo abaixo de teus olhos de mar...
esteve sempre ali,
mas só nesse momento eu senti o fascínio da primeira vez.
e teu olhar, e teus lábios, e tuas bochechas,
tudo me sorriu com o sorriso mais lindo da tua alma.

nesse momento eu percebi que havia amor em meu coração,
e que esse amor só podia mesmo ser teu

domingo, 12 de agosto de 2012

aquele momento...

... em que você percebe que não mudaria absolutamente nada na sua vida, e que as únicas mudanças necessárias a fazer são em você mesmo e dependem apenas de você. Alívio?...

o gosto das coisas

pra que você precisa de tanto açúcar?
se o limão é azedo,
porque você insiste em livrar-se disso?
você escolheu beber a limonada,
mas não quer sentir o gosto azedo do limão.

e o doce da cenoura, que você insiste em disfarçar?
aposto que você nunca reparou o quão doce é uma cenoura,
de tanto sal acrescentar...

se você aceitasse o sabor de cada coisa,
sem tempero, sem máscara, sem distração,
você saberia apreciar
o azedo do limão
o doce da cenoura
e outros sabores que você nunca poderia esperar.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

insônias

eu não durmo porque não quero dormir
e não quero dormir pra que o dia não acabe

o dia foi curto demais,
fiz muito menos do que queria
mesmo que seja mais do que podia

se eu dormir
o amanhã vai chegar
e eu sei
que o hoje será um dia a menos

mais um dia que perdi
um a menos pra viver

... mas por que lamentar ter poucos dias pela frente
se nunca faço nada realmente importante com os dias que ainda tenho?

Por isso eu não durmo.
Eu vivo essa noite-madrugada pra sempre.
Fico parada em frente às telas onde tudo se repete
e se repete, e repete
sem que eu sequer preste atenção.
Fico parada aqui, e o tempo parece não passar.

Vivo pra sempre.

Mas que vida é essa?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

eu devo

Eu devo ser bondosa
eu devo ser gentil
eu devo ser inteligente
eu devo ser carinhosa
eu devo ser dedicada
eu devo ser competente

Eu devo não ter falhas

Eu devo tanto aos outros,
e sempre fico devendo tanto a mim mesma...

Sei lá... (19)

... porque às vezes eu acho que eu mereço flores.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Essência de coisa nenhuma

... e no fundo, no fundo,
cada vez mais eu me convenço
de que eu não sei coisa nenhuma
de que eu não sou nada
de que não vou a lugar nenhum

eu sou só mais uma mentira que eu fico repetindo,
repetindo, repetindo...
até que um dia vire verdade,
sem admitir que as atitudes continuam as mesmas

a mesma droga
a mesma idiota vazia e cheia de pose
que eu escondo porque tenho vergonha
mas que não mudo porque tenho preguiça

A voz, as palavras, as ideias

A criança tinha as ideias, as palavras
e uma voz tímida,
guardada lá onde nem se sabia existir.

A jovem descobriu a voz,
escondida sob as fortes ideias
e as impactantes palavras.

Do espanto da beleza descoberta,
esmoreceram as ideias e as palavras,
numa contemplação muda.

E agora,
de que adianta ter a voz
sem as ideias?
As palavras vazias
não merecem ser cantadas.

Procuro as palavras de outros,
ideias fecundas,
pra cantar com minha voz.
Antes que a voz, desanimada,
abandone a espera pelas palavras, pelas ideias...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Simples?

Você me diz que eu devia ser mais simples,
que eu poderia ser mais simples,
que eu seria mais feliz se fosse mais simples...

Mas como ser simples, ora bolas,
convivendo com tanta gente complicada?

Desejos

Meus desejos me traem.

Desejar aquilo que é diferente do que tenho,
desejar profundamente não ter compromissos,
não dar satisfações,
mudar de ideia ao sabor do Desejo.

Meu desejo me revela
alguém que poderia ser odiado,
me mostra que eu tenho esse mal em mim.
Eu posso ser profundamente odiada.

Quanto desejo escondido,
emudecido até sufocar,
engavetado com todos os medos,
e mais os medos de desejar.

Por que, se eu tenho tanto de tão bom,
por que agora que tenho tudo isso,
justamente agora
os desejos me levam pra outro lugar?

De tanto sufocar os desejos que não podem ser
parece que não sobra nem um simples querer.
Nada quero, nada sinto.
(e na verdade eu tanto quero, apenas minto).

Mas não posso com esses desejos
que me matam,
que me levam pra longe do que eu quero ser...

Qual é o medo de ser de verdade?
Será que no fundo a verdade dos desejos é tão ruim assim?

segunda-feira, 26 de março de 2012

pequenos momentos

... e é engraçado que em pequenos momentos,
curtos mesmo,
eu me pegue sorrindo de nem sei o quê.

Talvez porque nessas bolhas de paz
eu consiga sentir como seria ser normal,
ser um pouco feliz como todo mundo pode ser...
Talvez porque nesses segundos de ignorância
eu consiga simplesmente existir,
deixar de pensar na certeza duvidosa daquilo que provavelmente me espera
e me entregar à simplicidade dessa fácil felicidade...

Vazio

Eu fico perdendo tempo
tentando preencher este vazio...
Leio palavras que não fazem sentido,
páginas e páginas em vão...
Compro roupas que não me servem,
como sem ter fome, como coisas que nem quero comer.
Adoto um bicho,
separo o lixo,
decoro a casa, 
tento ser legal na rede social...

E tudo é perda de tempo.
Este vazio não vai embora,
não se preenche nunca.
Não é disso que eu sinto falta,
não é de nada que o mundo me possa preencher.
Me faltam pedaços, 
me faltam milagres,
me falta ser verdade
a vida que eu apenas finjo ter.




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

presente transparente

Tão difícil olhar pro hoje e querer estar aqui,
mesmo com tudo bem, com tudo ótimo,
tudo tão perfeito quanto poderia estar.

Nos meus sonhos me assombra um passado querido,
e quando acordo eu persigo
um futuro que parece que nunca vai chegar...

Por que será que de repente
meu presente ficou transparente -
Sumiu ou só não posso enxergar?

[será que isso dá uma canção?... Acho melhor não; vai que ela gruda no ouvido e não vai embora nunca...]

Sei lá... (18)

... às vezes eu só queria que você pudesse ser maior do que tudo o que eu já vivi, pra me fazer esquecer o que foi ruim demais e eliminar minha saudade do que foi bom demais...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Resoluções de ano novo

Oi.

Pois é. Passei muito tempo longe daqui. Tava por aí, enfrentando uns leões - uns meio filhotes, admito... Tava tentando desajeitadamente viver, totalmente cambaleante e sem inspiração.

Tava me sentindo sem sonhos. Logo eu, que sempre fui tão sonhadora, romanticamente romântica, cultivando uma utopia aqui, outra ali, entre lágrimas e palavras bonitas tentando construir um lugar pra olhar no horizonte.

... E de repente tudo isso desapareceu. Cinza, silencioso e insípido, um deserto de cimento na minha imaginação.

Os sonhos foram embora. Não há nada mais a esperar. Zero. Aridez total.

Coisa triste, fim de ano sempre faz a gente pensar, mesmo que a gente tente evitar esse clichê - é mais forte que a vontade. Aí eu me entreguei e deixei os pensamentos fluírem (coisa que eu não fazia há muito tempo).

Talvez fosse essa a peça faltando: deixar fluir, soltar a rédea, perder um pouco (só um pouco) o controle.

Então, uma constatação aflorou. Eu não sonho mais porque os sonhos já estão aqui - eles já são reais. Só que estou perto demais pra reconhecer. [escrevo mais sobre isso outra hora, daqui sai verso!]

Pra agitar um pouco a imaginação, resolvi parar um pouco pra contemplar. É. Contemplação - os monges, freiras, padres, gurus... esses ensinam a gente a ficar quietinho, ouvir, observar, abrir os sentidos praquilo que a realidade mostra nesse momento.

E decidi que 2012 precisa de uns sonhos novos. Metas, pra fazer a roda girar, pra ter de novo um horizonte pra onde olhar. Ok. Vamos lá!

Metas materiais:

1. Ter menos: descarregar o ambiente de coisas que não uso mais, ou que atrapalham; limitar compras a ítens realmente necessários.

2. Economizar: começar a guardar dinheiro para um objetivo maior, como meu próprio apartamento; estabelecer uma cota mensal, tendo abatido as despesas regulares com casa, médicos, alimentação, transporte, etc.

3. Limpar o guarda-roupa: tem a ver com ter menos, mas vai um pouco mais além; meu guarda-roupa deve funcionar pra mim de acordo com minhas e combinar com a minha personalidade, em vez de ter uma centena de peças enconstadas esperando pelas minhas mudanças de humor - e de manequim. Meio fútil, mas no fundo nem tanto.

Metas para "edificação pessoal ":

1. Descoisificar a mim mesma: não me tratar como uma coisa que precisa ser consertada, exigida até o limite, sem sentimentos e pronta pra servir aos objetivos para os quais foi construída. Eu sou um ser humano capaz de sentir emoções que não devem ser sufocadas, sob ameaça de virarem algums monstro dentro de mim, e tenho direito a me sentir cansada e a pedir pelas minhas necessidades.

2. Descoisificar os outros: não tratar os outros como coisas que precisam ser consertadas, exigidas até o limite, sem sentimentos e prontas pra servir aos objetivos para os quais foram contruídas. Ou... "não fazer aos outros o que não quer que seja feito consigo mesmo".

3. Preocupar-se com o que vale a pena: não perder tempo sofrendo por antecipação com coisas que provavelmente não vão acontecer.

4. Investir o tempo, em vez de passar o tempo: escolher atividades que sejam estimulantes, tanto profissional como pessoalmente, e investir tempo nelas - tentando me divertir, gostar do que estou fazendo - em vez de me gastar todo o tempo livre "esfriando a cabeça" em jogos de computador... (shame on me, isso aconteceu muito ano passado...)

5. Resgatar minhas diversões de adolescente: quando eu era feliz e não sabia... Que bom que algumas coisas a gente pode refazer, né? E se alguém pensa que minhas diversões de adolescente incluíam uma "vida loca", paixões estonteantes e muito rok'n'roll... enganou-se! Eu era devoradora de livros, e isso me fazia feliz demais! Gostava de passar tardes tocando piano e cantando - e era divertido, antes de virar obrigação de trabalho e subitamente desaparecer qualquer prazer em fazer isso. Ouvia música com gosto, desenhava com 48 cores de lápis, escrevia contos que nunca pensei em publicar, fazia teatro, abria enciclopédia aleatoriamente só pra aprender uma coisa nova... Tanto prazer nisso, e tudo tão simples de fazer!!!

O mais importante é isso... agora, os detalhes, esses e guardo pra mim. Onde cada coisa se aplica é matéria pra eu tentar voltar a escrever. Oba!!

Desenho de mim

De não em não
De sim em sim
...
assim é que desenho a mim