quarta-feira, 25 de março de 2009

Quando?

Quando foi que deixamos de brincar,
que desaprendemos a sorrir,
ou que esquecemos de amar?

Quando foi que passamos a sofrer,
que esgotamos a ternura,
e nossas palavras passaram a doer?

Quando foi que a sombra se espalhou,
que perdemos a tola inocência dos passeios,
ou que o carinho se acabou?

Quando,
me diz,
quando foi que eu te disse
que eu queria crescer desse jeito,
que eu queria trocar o riso leve
por um semblante assim tão grave?
... se tudo o que eu queria
era apenas um carinho simplório
a doçura de uma mão pra atravessar a rua
um sorriso a me esperar no fim do dia...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sei lá... (3)

... porque é preciso flexibilidade, mas não moleza; firmeza, mas não rigidez.

Enfim... jogo de cintura.

domingo, 22 de março de 2009

A eloquencia dos silêncios

Teus silêncios falam
muito mais do que aquilo que dizes,
aquilo que em conversas intermináveis
em vão tentamos nos fazer entender.

Meus silêncios calam
quando as palavras não deveriam existir,
mas elas insistem em me escapar
e nessa hora meus silêncios tímidos se omitem.

Esses silêncios gritam
mas parecemos não querer escutar.
Nossos silêncios comunicam
aquilo em que não queremos acreditar.

Silêncios, silêncios.
Ouçamos:

...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Terça-feira

Hoje foi terça-feira. Tecnicamente "foi", no passado, porque já passou da meia-noite. Contudo, ainda tecnicamente, se já "foi", é porque já não é mais hoje - já virou ontem. Mas isso só tecnicamente.

Enfim...

Foi um dia normal, como qualquer outro.
Eu acordei, e isso foi normal.
Rolei na cama por mais uma meia hora antes de levantar, o que foi seminormal.
Trabalhei. Normal. Normalíssimo.
Meu pai comprou um carro novo - nem tão normal assim.
No fim do dia fui a uma festa, onde, pra variar, quase não conversei com ninguém. Mas foi legal.
Normal.

E por que raios estou escrevendo todas essas baboseiras normais aqui?

Bem...

É só porque eu não quero falar de mim, nem de nós, nem de vocês, nem de ninguém.
Não quero falar sobre os nossos amores do presente,
nem sobre as saudades e os desgostos de nossas paixões do passado,
muito menos sobre as esperanças e desesperos com os afetos do futuro.

Não quero falar sobre os sorrisos, nem sobre as lágrimas,
nem sobre os presentes falsos que nos damos mutuamente e a nós mesmos,
sobre as dores, os prazeres, as coisas gostosas e aquelas que perderam o gosto.

Não quero falar sobre as mentiras que nos contamos tentando evitar a verdade dolorida
nem sobre as histórias que esquecemos de construir por falta de coragem,
tampouco sobre os desejos mais vis e também os mais elevados que negamos apenas por medo.

Não quero falar sobre essas ilusões todas que inventamos
porque, no final das contas, ultrapassando todas as nossas mentiras,
a gente percebe que todo dia é apenas um dia
apenas mais uma terça-feira.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Autosuficiência

- Eu não quero!
- Não quer o quê? Eu nem te ofereci nada!...
- Por isso mesmo! Antes que tu ofereça, já te digo que não quero!




[Tá olhando o quê? Sim, é só isso! Não entendeu? Ah, te vira, vai pensar aí! Não vou ficar explicando...]

domingo, 15 de março de 2009

Não importa

Ah, como a gente adora ser notado!

Manifestamos sentimentos, idéias, coisas íntimas e coisas profundas
a interlocutores nem um pouco interessados
e se interessados, incompreensivos

Elaboramos pretensas obras primas de nossa mais sincera arte
a apreciadores quase sempre inexistentes
e quando existentes, cegos e insensíveis

A gente escreve com uma certa devoção
mas nunca sabe se alguém vai ler
e quem ler, a gente não sabe se vai entender

Nem sempre a gente consegue o que deseja

É por isso que eu escrevo assim;
mesmo com aquela esperançazinha de que alguém se importe,
a mim não importa.

Não era pra ninguém ler.
Eu escrevi por escrever.



[enfim, nasceu o post de onde veio a idéia do blog.
Quem quiser entender, fique à vontade.
Não importa.
Mas importa sim.]

terça-feira, 10 de março de 2009

Arrogância

- Você é arrogante!
- Quem? Eu???
- É, você!
- Eu não sou arrogante coisa nenhuma!
- Viu? É tão arrogante que não admite...
- Mas você também está sendo arrogante agora!
- Sim, eu sei. Mas pelo menos eu admito.

[onde isso vai terminar? putz... comecei a escrever, mas dois arrogantes discutindo arrogância sempre acaba numa discussão circular. Melhor abafar a polêmica. Por enquanto, pelo menos. Só porque tô com preguiça.

E porque sou uma arrogante também: essa reflexão não merece o meu agora.]

sábado, 7 de março de 2009

Sei lá... (2)

... porque eu talvez goste tanto dos começos

é que persigo tanto os finais.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Simples pedidos

Me nota
Me olha
Me chega
Aproxima de mim teu caminho e me deixa te escolher

Me sussurra
Me fala
Me diz
Murmura no pé do meu ouvido o que eu quero escutar

Me abraça
Me beija
Me envolve
Enlaça meu eu em ti como eu sempre quis sem saber

Me toma
Me bebe
Me sorve
Embriaga minhas noites de insônia e me faz acordar

Me esquenta
Me arde
Me queima
Aquece meu ventre, meu peito e minha face de tanto imaginar

Me sonha
Me vive
Me realiza
Acolhe meus simples pedidos,
desejos perdidos nesta noite insone e sem luar



[desculpa cortar o clima...
esse quase pegou fogo aqui! ufa!
... mas eu não posso deixar de observar:
adoro próclises no lugar errado!]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sei lá...

... porque você não pode ser tudo

mas pode ser um monte de coisa

(calma; não ao mesmo tempo!)

domingo, 1 de março de 2009

Segure minha mão

[um quase "sem-título", impressões em forma de palavras]

Segure minha mão nesta noite escura.
Através da escuridão pálida e desconhecida
leve-me até onde eu possa não sentir medo.

Segure minha mão nesta noite fria.
Quando o vento cortar minha frágil pele
seja meu conforto, meu calor, meu carinho.

Segure minha mão nesta noite longa.
Enquanto o tempo parece congelado
faz-me desejar que ele dure ainda mais.

Segurando minha mão nesta noite,
na ponta de cada dedo um afago.
Tua mão na minha,
nossas almas uma.

Já não tenho medo.


[F., sei que tu não vai ler,
mas mesmo assim
só posso dizer:
obrigada por tudo]