domingo, 26 de abril de 2009

Silêncios

Desenho teu rosto nas pontas de meus dedos
perco-me nas linhas profundas
nas curvas suaves
retraçando teu perfil

Teus olhos fechados
assim como tua boca
nada me dizem
quietos, mudos, silentes

Procuro decifrar teu pensamento
mas a tarefa é impossível
pois nem mesmo quando me falas
consigo te desvendar


[Este ficou em silêncio um tempão. Não senti que estivesse terminado, então guardei o rascunho. Bem, já faz mais de um mês que não mexo nele. Antes que morra, resolvi deixar nascer assim. Inacabado, quase como o sentimento que o gerou. Acho que este silêncio fala mais do que eu mesma pude me dar conta.]

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Esperando por você

Sim, isto é pra você.

Você, que eu imaginava que jamais viria até aqui,
que veio por uma curiosidade inusitada,
que nunca poderia prever que isto estaria escrito aqui, assim,

só esperando por você.

Sim, estas palavras são pra você.

Você não acreditou quando leu,
pois não acreditava que eu seria capaz de escrevê-las,
mas elas estão aqui, claras, explícitas, jogadas na parede

só esperando por você.

Sim, elas servem pra você.

Você leu
e sentiu
e lembrou
e entendeu
e não acreditou.

Sim, eu escrevi.

Não era pra ninguém ler
mas estas palavras estão aqui

só esperando por você.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Nota mental

não assistir a filme romântico, nem ouvir música romântica, nem presenciar casais românticos por um bom tempo.

risco de quebrar a TV, qualquer tocador de música ou a cara dos pombinhos.

cansei dessa baboseira.

(mas ainda morro de inveja)

Sei lá... (5)

... porque a gente sabe que é verdade quando a gente não precisa de muita explicação pra acreditar.

sábado, 4 de abril de 2009

Resgate

Num cantinho empoeirado
havia um blogue abandonado.

Coitadinho, escondidinho...
lá onde ninguém podia ler.
Ele queria ser lido, pobrezinho,
mas nunca chegou a ser.

Palavras bonitinhas nasceram ali,
com um amor que se esqueceu.
As palavras ali ficaram,
mas a senha do login a autora perdeu.

Hoje passo por aquela tela rosada
e as palavras que leio me deixam aliviada
por ver que este coração hoje adormecido
já foi capaz daquele sentimento tão querido.


=====

Uma das coisas mais bonitinhas que já escrevi, resgatada do blogue cuja senha se perdeu:

Quando faltam as palavras

Por tudo aquilo que com palavras não consegues expressar,
não te desesperes:
eu compreendo quando encontro teu olhar


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Tantas e tantas vezes eu despejei palavras...
eu as derramei impiedosamente sobre o papel...
Em vez de derramar o pranto,
eu derramava letras
desfiava horas a escrevinhar.

E

De repente
não mais letras
não mais palavras

Silêncio: o papel em branco

Porque lágrimas já não tenho mais
Agora só sorrisos
Só alegrias

O que sinto é tão grande
que não cabe em mim
não cabe em papel
não cabe neste mundo

Mas cabe em um olhar profundo
Aquele olhar que não é meu
mas que me dá de si
e se faz nós
em mim

(Wednesday, December 20, 2006)

Desespero

Ah, eu vou me debulhar em lágrimas
eu vou cortar os meus cabelos
eu vou arranhar os meus braços
eu vou morder os meus lábios

Essa agonia não me deixa, não me abandona!
Não me abandona!
Não me deixa!
Me consomem todas as dores da minha inquietude
E essa solidão acompanhada me incomoda, me incomoda, me incomoda...

Eu me flagelo pra me exorcizar
eu não quero mais pensar
eu não quero mais saber
eu não quero mais tentar
eu não quero mais querer



[ops, mais um que escapou... azar! não era pra ninguém ler mesmo. senti - escrevi. pronto.]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sei lá... (4)

... porque às vezes a gente enxerga, mas finge que não, só pra continuar tendo algo do que reclamar.