sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Horizonte

Sentada no chão
sobre a grama daquele morro elevado
lá onde o caminho não tem estrada
aonde só eu vou quando quero descansar
contemplo o horizonte

O meu olhar é sereno
sinto-me tranquila
segura
Não há dor que me faça mal
não há pensamento nenhum
apenas a visão do horizonte

Leve, livre,
ali.
Simplesmente ali.

Não há você,
não há nós,
não há ninguém além de mim.

O panorama é solitário
eu vejo casinhas lá adiante
e o vale verde que se abre até o céu azul de nuvens brancas.
O resto é solidão.
Não há você.
Apenas eu.

É iminente.
Eu vejo solidão
quando meus pensamentos se libertam
e contemplo o meu horizonte.

Sei lá... (13)

porque tem vezes em que eu deixo de acreditar
que o amor existe
e eu me sinto triste
porque eu queria mesmo era poder me libertar

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

às vezes

às vezes eu não quero nada
às vezes só estou cansada
às vezes quero estar sozinha
às vezes é loucura minha
às vezes eu dou gargalhada
às vezes vou seguindo a estrada
às vezes um abraço basta
às vezes um só beijo afasta
às vezes eu sou muito dada
às vezes fico abandonada
às vezes nem sei pr'onde vou
às vezes eu nem sei quem sou

às vezes o meu mundo acaba
às vezes ele começou

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Estilhaço

Perdi meus sonhos em algum lugar
talvez no céu
talvez no mar
em um desses lugares mágicos
aonde a gente vai pra se encontrar

Não sei o que foi que aconteceu
meus sonhos já não são mais meus
já não me reconheço no espelho
entre os estilhaços daquilo que fui eu.
Não faço mais minhas coisas essenciais
minhas verdades se perderam
na burocracia das coisas que têm que ser
nas horas perdidas das tarefas banais.

Falando com vozes alheias
perdi minhas palavras
perdi minha voz
perdi meu sopro

A vontade se foi
não sei mais quem sou.

Rima pobre
verso livre
página em branco.

E tudo isso é estilhaço
de uma bomba que acho que eu mesma explodi.

Pulga atrás da orelha

Será que tem alguém no meu lugar
por aí
vivendo os sonhos que não realizei?