domingo, 26 de setembro de 2010

Amo-te

Amo-te
por motivos que não consigo explicar
de uma forma que não sei descrever
e um tanto que não sei medir

Amo-te
não pelos arroubos sentimentais
não por fortes emoções
nem por outro motivo comum

Só sei que te amo
com um novo amar a cada dia
mesmo na luz ou na escuridão,
pois teu olhar é meu conforto,
teu abraço é meu refúgio,
e tua presença, mesmo longe,
faz habitar em mim
a sutil alegria de uma manhã de sol

Leve e simples
Aconchego suave

Amo-te.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

... tem certos dias...

Detesto me sentir parada.
Detesto sentir qualquer pontinha de estagnação.

Antes eu corria pra fugir dessas sensações, mas agora meu corpo disse que chega. Estou encurralada dentro da minha própria pele, sem poder fazer nada. Além de pensar, é claro...

Tem dias em que consigo pensar coisas boas, e brotam insights que me enchem de esperança em mim mesma, coisa que sempre foi tão rara. Nesses dias eu encontro força pra acreditar que tudo vai melhorar, e que estou fazendo o que é certo pra encontrar a vida feliz que eu desenho nos meus sonhos (e que, enganadamente, achei que alcançaria com tanta correria desenfreada).

Mas tem dias em que não dá. Não que eu fique triste, ou brava, ou que eu chore de desânimo pelas coisas tão paradas e pela sensação de impotência... Não. Já vi que esse tipo de atitude não constroi nada - e, pior, até destroi o pouquinho que todos os esforços de melhora já conquistaram. Decidi que, na falta de algo bom pra fazer, o melhor é não fazer nada. E esperar.

Nesses dias meio escuros, o melhor é não forçar o sorriso. Fazer só o que tem que ser feito. Comer certo. Calar. Dormir. É isso. Um dia nulo, nem positivo nem negativo. "Hoje eu vou ficar parada". Sim, é isso. Recebo, aceito e agradeço.

Porque o mundo continua a girar, a vida lá fora continua a acontecer. Eu é que estou meio parada, mas é porque já corri demais em tantas direções incertas... É tempo de parar.

Outros dias vão chegar, certamente. Se o mundo não para, quando ele passar com o que é meu, estando eu aqui paradinha, um dia vai ser a minha vez de embarcar de novo no movimento certo.

[Assim espero!]

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Acho que não sei, mas quero aprender!

Ultimamente tenho tido a sensação de que finalmente a adolescência está acabando.

A minha adolescência, que deve ter começado lá pelos 18 anos, durou o suficiente pra me mostrar que tudo o que eu achava que tinha de maturidade era, na verdade, mais uma das minhas brincadeiras de criança.

Deve ser a minha maré de insights, depois de contemplar um pouquinho minha vida como ela tem sido e decidir que muitas atitudes, posturas, pensamentos, relacionamentos e vícios já não me servem mais. Eu já não sou mais quem eu era a um tempo atrás...

Descobri que não quero mais dizer "eu acho...", mesmo que tenha aprendido que eu nunca vou saber tudo. Talvez essa seja a verdade mais cruel, mas ao mesmo tempo também a mais linda da vida: a gente nunca sabe nada - a gente geralmente tem alguma noçãozinha distante, ao menos - e também nunca vai chegar a saber tudo. O bonito da vida é que pra tudo a gente tem a chance de dizer "eu ainda não aprendi", em vez de simplesmente dizer "não sei" ou "não consigo" (amados alunos e amigos, quantas vezes já conversamos sobre isso, né?), e isso abre a possibilidade de escolher entre permanecer sem aprender e estar aberto à busca do novo.

Cada um caminha sobre as trilhas que constroi, carregando as bagagens que adquire pelo caminho. Cabe a si mesmo decidir quando é preciso mudar os rumos e quando algumas bagagens devem ser deixadas para que outros as aproveitem.

Por enquanto é isso...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Momento Eureka

Também conhecido como "epifania", o que chamo de "Momento Eureka" é por muitos chamado de "Cair a ficha", embora esse conceito já esteja bastante obsoleto em tempos de orelhão a cartão.

Eu estou tentada a detalhar a história do "Eureka!", mas vou confiar na Tia Wikipédia pra ela fazer isso por mim. Aliás... lembrei que ela também pode fazer isso pela "epifania".

Meu Momento Eureka veio, finalmente, depois de quase três meses de férias forçadas em recuperação de um problema de saúde, e tem a ver justamente com a busca pelas origens de problemas ligados ao problema principal. (ixi... problemas, problemas, problemas... chega!)

O que eu encontrei, mas sem a mesma reação do Arquimedes (da historia que a Tia Wiki contou ali antes), foi uma listinha de coisas que me incomodam desde os meus seis anos, pelo menos, e que eu tenho somatizado e transformado em ansiedade, em compulsão alimentar, em depressão, e outros males totalmente bestas da "maravilhosa vida moderna" (sim, estou sendo sarcástica...).

1. Mania de perseguição: parece que não importa o que eu faça, tem alguém me observando e, pior, julgando tudo o que eu faço;
2. Mania de perfeição: por estar sendo julgada a todo momento, tudo o que eu fizer tem que estar perfeito pra não dar margem a reclamações ou decepções;
3. Complexo do "eu não queria atrapalhar": a sensação de que sempre vou ser um estorvo em qualquer situação - não visito ninguém porque acho que vou incomodar, não convido ninguém pra sair comigo ou pra me visitar porque acho que a pessoa vai achar um saco... e por aí vai.

Nessas 3 coisinhas, brigam a alta e a baixa autoestima.

Minha vida deve ser assim, muuuuuuuito interessante pra alguém querer me perseguir, me vigiar e me julgar - logo, há aí uma autoestima meio altinha, né?
E se eu acho que nunca tá bom, que tá sempre ruim e imperfeito, ou que eu vou sempre incomodar, é porque eu sou uma porcaria com uma autoestima muito baixa.

Tá, e o que tem de tão importante nesse meu Momento Eureka?

Bem... o fundamental é que, na verdade, essas três coisinhas não existem! Fui eu quem criou elas. Euzinha. Sozinhazinha! Nunca tive ninguém diretamente me cobrando isso, e está totalmente nas minhas mãos acabar com isso e finalmente relaxar e ser feliz!

Por isso, deixo aqui anotado pra mim mesma:
1. Eu sou minha única juíza! Não preciso ficar imaginando o que as pessoas estão pensando sobre cada detalhe do meu jeito de falar, de trabalhar, de me vestir, porque, na verdade, elas raramente estão!
2. Eu nunca vou ser perfeita, e não existe nenhum problema nisso, desde que eu esteja satisfeita com o que eu sou, com o que eu faço e com a minha participação no mundo.
3. Se alguém estiver incomodado com a minha presença ou com algo que eu faça, vai se manifestar. E, no mais, os incomodados que se retirem...

Portanto, a meta agora é reeducar o pensamento, pra que essas coisas parem de me incomodar. Vai dar um trabalho, porque são duas décadas de cultivo dessas coisas... mas é preciso afastar esses pensamentos e buscar ser mais espontânea, mais autêntica, mais verdadeira. Pretendo estar aberta às surpresas dos resultados, mesmo se eles forem pequenos.

E tudo isso só a título de nota mental... Afinal, não é pra ninguém ler... Mas desta vez eu achei muito importante escrever.

[até erro de português tem! e eu vou deixar assim!]