segunda-feira, 11 de julho de 2011

Literatura

Sim, eu faço literatura.
Um pouquinho de literatura,
pra deixar os fatos mais legíveis.
Só um pouquinho de literatura,
pra deixar a vida mais vivível.

O trem

Acho que agora entendi
Essa agonia de querer fugir de ti.

Não aguento mais ser essa criança que testemunhas,
não aguento mais ter medo sem razão,
não posso mais ficar ao sabor da disposição alheia.

Cansei de esperar o trem que nunca passa,
enquanto eu só vejo o tempo ir embora,
parada nesta estação...

Quero voltar pra minha casa
Quero sobre meus próprios passos chegar onde quero ir
Quero as plantas na janela, um cãozinho no quintal.

Quero teu dia e tua noite, teu sono e tua insônia
Quero ser quem te faz bem, teu retorno cotidiano
Quero teu amor pra mim.

Chegar ao meu mundo, meu destino.

Já não consigo mais esperar passar o trem...

sábado, 9 de julho de 2011

(des)encontros

Quando me perco de mim
perco-me de ti
e então encontro-me outra vez.

A distância de ti
faz-me querer-te de volta
e no fundo do coração anestesiado
encontro aquilo que havia perdido:
um fiapo de amor possível
por mim
por ti
por nós.

sábado, 11 de junho de 2011

Pedaços de canções (10)

... e mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira...

[mas como saber? Qual o limite entre a diplomacia, a cortesia, a bondade, o favor... e a contrariedade a si mesmo? Encontrei uma espécie de limbo no qual já não se sabe mais qual é o pecado contra a verdade individual e qual é a mentira inocente que se conta a si mesmo pra fazer pequenas concessões por uma boa convivência...]

sábado, 28 de maio de 2011

Fragmento 1

Pra quê perder tanto tempo
tentando ser algo que não sou
se isso nem mesmo é o que eu quero ser?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Deserto

Paisagem cinza
Pensamentos nebulosos, obscuros.

Nada de bom a dizer.

Melhor é o silêncio...
Deserto de mim.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Casulo

Dias de esperar:

A criança chegar
A aula começar
O gesto acontecer
O sorriso brotar

O coração sentir
A alma despertar

terça-feira, 1 de março de 2011

Mais um presente

Bem... Acordei!

Surpreendentemente, às 7:30, sem despertador, sem cansaço, sem dor... Como se estivesse nascendo de novo, acordei! Não é o máximo?

Isso devia ser comemorado todos os dias!

Não lembro exatamente as palavras de Hamlet, mas ele queria dizer que a morte é um mistério pra nós, e nos dá medo porque nunca sabemos o que ela pode trazer a quem morre. Pensar em morrer dá medo, porque tudo pode ser. "Não sabemos que sonhos poderá trazer o sono da morte".

Também não sabemos a hora exata, não sabemos se estaremos preparados, se já teremos feito tudo o que queríamos fazer da vida - óbvio que não, porque a gente sempre quer fazer muito! A máxima "a única certeza da vida é que um dia vamos morrer" é triste, mas verdadeira. E, em um pensamento nada otimista, cada dia de vida é um dia a menos na "conta".

Por outro lado, se adotarmos uma postura de gratidão, enxergando cada novo dia como um presente - sim, cada "hoje", cada "agora", é um "presente", no duplo sentido da palavra - passamos a valorizar as chances, a tentar contentar ao máximo o espírito da gente (e, quem sabe, das pessoas ao redor) dentro do que um dia permite. Talvez seja assim que a gente ganhe o direito a viver o dia seguinte.

Não sei... Pode ser que não, mas pode ser que sim.
Pelo menos pra mim foi assim.

Acho que foi a minha entrega aos sentimentos de gratidão e de amor que curou meu mal-estar e me deu de presente este novo e lindo dia. Então... vou lá viver mais um pouquinho!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Antes que meu mundo acabe

Tem dias em que eu me sinto tão mal que tenho medo de não acordar no dia seguinte.

Este é um dia desses...

Por isso, vim até aqui pra colocar alguns pensamentos pra fora e tentar encontrar um pouco de paz e, quem sabe, plantar alguma esperança pra me levar a acordar amanhã.

Acho que já se foi o tempo dos rodeios, das meias-palavras, e no momento não estou muito inspirada pra usar enigmas literários pra me expressar. Então, sem eufemismos, vou tentar tratar do que está me incomodando agora:

Por que a gente tem medo de morrer?

Ultimamente tenho vivido em estado de alerta, o que me leva a ficar bem preocupada se algo sai do normal. Uma aparentemente simples dor de cabeça se torna motivo pra pensar coisas como desde "não era pra eu estar me sentindo assim, deve ter algo muito errado comigo" até o extremo "é agora; desta noite eu não passo". Esse último é especialmente alarmante, porque eu penso "caramba, eu não tô preparada pra morrer!"

Por que a gente tem medo de morrer?

Eu acho que sou muito jovem - mas quem não é jovem demais pra morrer? Até minha vó, que tá cada vez mais perto dos 90, se acha muito jovem pra morrer. O que dizer de mim, na flor dos 27?...

Fora a questão da idade, em geral as pessoas querem deixar uma marca no mundo. Uma existência sem plantar uma árvore, sem escrever um livro ou sem ter um filho, como sugeria o velho ditado, até vá lá... mas eu falo de marcas mais corriqueiras: fazer algo muito legal no trabalho, ser querido pelos amigos e pela família, ensinar a uma criança alguma coisa útil, ou seja, fazer algo realmente bom pra vida de alguém - ou mesmo pra sua própria. A gente quer acreditar que veio ao mundo em alguma missão, e que não vai sair dele tendo existido em vão, tendo apenas ocupado um espaço vazio. A gente quer ser especial.

Sim, mas isso não é de graça... Ser especial não acontece da noite pro dia, não depende de um único ato de heroismo tão ao estilo de Hollywood. A gente deixa marcas dia a dia.

Ah, o dia-a-dia... Geralmente estamos ocupados demais, estressados demais, e cegos demais pra nos darmos conta de pequenas atitudes que dedicamos aos outros são verdadeiramente um combustível pra nossa própria felicidade.

Eu mesma, agora, olhando pro meu caminho recente, vejo que dei poucos abraços, que ouvi poucos desabafos, que estendi a mão poucas vezes. Acho que amei pouco. Eu podia ter amado muito mais.

Quando eu penso que durante o sono o mundo pode acabar pra mim, eu me dou conta de que ainda não fiz tudo o que eu podia. Não fui suficientemente grata pela vida que me deram de presente. Em certas ocasiões eu até avacalhei com o meu presente. Claramente, eu não fui generosa com a vida que eu recebi. Trabalhei demais pelos motivos errados, disse muitos sins e nãos errados, fiz escolhas mal-feitas, endureci o coração por medo. Ora, o que temer na vida senão a possibilidade de não aproveitá-la?

Agora está todo mundo dormindo aqui em casa. Menos eu.

Estou pensando no quanto eu teria que abraçar meu pai, minha mãe, minha irmã e meu irmão até que eu achasse suficiente pra poder ir embora... E a conclusão a que eu chego é que nunca será o suficiente. Eu quero abraçá-los muito, muito, muito. Se eu puder, quero ficar com eles pra sempre, porque são a coisa mais importante do meu mundo, o meu amor mais louco e inexplicável. Louco e inexplicável porque, mesmo tendo cem razões pra ter muita raiva deles em vários momentos, eu encontraria outras mil razões pra ser completamente apaixonada por eles.

Ok, o papo de que "só agora me dou conta" é uma furada e um ato de extremo pânico de quem se vê no fim do túnel - e sem luz... Muitas vezes antes eu tive consciência do que estava perdendo, mas arrogantemente achava que teria ainda muito tempo pra recuperar as atitudes e omissões. Eu pensava "agora é hora de ter foco, tenho que batalhar pra ser alguém, dane-se o mundo". Mas eu tinha uma compreensão muito rasa do que é "ser alguém", baseada apenas no que a "selva de pedra" cobra da gente. Perdendo tempo com prisões, medos, cobranças extremas, depreciações, não sobra tempo pra manifestar as coisas que realmente podem no fazer felizes e, por que não?, contribuir pra felicidade de quem tá pertinho da gente.

Ilusões... a gente se perde nelas. A gente se ilude pensando que é melhor, que pode tudo, ou que é a pior das criaturas e não tem capacidade pra nada. Os extremos são sempre perigosos. Porém, quando a gente finalmente passa por um choque de realidade (pode ser de qualquer tipo), a gente joga toda a baboseira no lixo e o que sobra é só aquilo que faz a nossa essência, que nos faz viver de verdade.

Amanhã, se eu acordar, vou agradecer por mais um dia de olhos abertos, por mais uma chance de abraçar a minha família linda, imperfeita, barulhenta, maluca e encantadora. Vou ouvir com paciência o meu pai reclamar da vida, a minha mãe reclamar do meu pai, a minha irmã entrar em pânico com a irritação da minha mãe, e vou ouvir meu irmão contar como foi o primeiro dia de aula. Vou achar graça da pequenez das coisas que motivam as irritações, e rir de mim mesma por levar tudo tão a sério. Vou dar aulas pensando em ajudar os alunos a serem pessoas melhores, em vez de achar que eles vão julgar se sou uma professora boa ou não. Vou dar bom dia pro porteiro, animar o dia dos colegas estressados com algum material novo ou mesmo com uma piada. Vou ligar pro meu namorado à noite e dizer o quanto eu o amo por ele ser um homem tão amável, carinhoso, gentil, companheiro, compreensivo, entregue, apaixonado e humano. E antes de dormir de novo, vou lembrar que esse dia valeu a pena, porque foi mais um dia que eu ganhei de presente, e vou rezar pra que eu tenha mais um dia pela frente.

Acho que agora o medo passou.

Mas que fique aqui registrado, caso amanhã meu mundo acabe, que eu amei minha vida, por tudo de torto e de bonito que ela tem. Mesmo que tenha amado livremente, sem medo, só por alguns instantes.


Se eu acordar amanhã, venho aqui avisar. Boa noite!




[Agradecer sempre. Por tudo. Vontade de fazer uma lista de pessoas que me marcaram de algum jeito, agradecer ao universo por ter colocado cada uma delas no meu caminho, fazer declarações de amor pra cada uma delas (mesmo que por um tempo eu tenha cultivado muita raiva por algumas delas). Vontade de fazer um filminho da minha vida pra poder olhar toda vez que eu achar que falta força pra ir adiante. Chega de cegueira. Chega de medo. A vida é curta demais pra gente perder tempo com esse tipo de bobagem. Já tá mais do que na hora de fazer as coisas valerem a pena. Dar a devida dimensão pras coisas: não supervalorizar os problemas e os defeitos, nem depreciar as vitorias e as qualidades.]

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Nada a fazer

Eu sempre ouvi
"não adianta ficar aí chorando;
levante-se e faça alguma coisa!"
Engolindo as lágrimas molhadas
eu arregaçava mangas
movia meu mundo.

Mas e o que fazer quando chega um ponto
em que não há nada a fazer
a não ser não fazer nada?




[o que é que eu faço? não consigo mais ficar parada aqui, passiva, em espera, vendo que nada muda. deve haver algo que eu possa fazer...]

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sei lá... (17)

de que adianta se tornar uma pessoa mais aceitável pra certos padrões do mundo

se depois você não reconhece no espelho o monstro que criou?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mala(s)

Por que você insiste em aparecer por aqui?
Você foi pra muito longe, há muito tempo...
Já nem devia mais lembrar das suas faces.
Mas você insiste em perturbar meu sono,
você me acorda no meio da noite pra me abraçar,
me diz que ainda pensa em mim.

Eu sei, não é você.
Sou eu.

Às vezes acho que você não levou sua bagagem.
Suas coisas, lembranças e impressões ainda estão no meu armário,
nas gavetas empoeiradas das memórias dos anos passados.

Vou fazer as suas malas.
Vou colocar você num trem.
Vou mandar você pra longe.
Vou aceitar que você não vem.



[Xô, assombração!]

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Meta para o ano novo

Depois de muito pensar em mil coisas que eu gostaria de tentar neste ano novo (por isso o primeiro post de ano novo veio só em fevereiro [!!]), cheguei á conclusão de que a única coisa de que eu preciso neste ano - e, por isso, vai ser minha "meta de ano novo" - se resume a um objetivo muito singelo:

"Em 2011 eu quero ser mais simples."

Sim. Sem implicâncias, sem cobranças exageradas, sem perfeccionismos, sem achismos precipitados, sem sofrimentos por antecipação. Buscar ver as coisas como elas são, sem viajar nas mil possibilidades das entrelinhas e das linhas tortas. Simples.

Embora eu saiba que essa não será uma tarefa tão simples assim, me agrada esse desafio!

Feliz 2011!

[Ou não: posso dar a desculpa do Ano Novo Chinês! hehehe]