sexta-feira, 13 de abril de 2012

Essência de coisa nenhuma

... e no fundo, no fundo,
cada vez mais eu me convenço
de que eu não sei coisa nenhuma
de que eu não sou nada
de que não vou a lugar nenhum

eu sou só mais uma mentira que eu fico repetindo,
repetindo, repetindo...
até que um dia vire verdade,
sem admitir que as atitudes continuam as mesmas

a mesma droga
a mesma idiota vazia e cheia de pose
que eu escondo porque tenho vergonha
mas que não mudo porque tenho preguiça

A voz, as palavras, as ideias

A criança tinha as ideias, as palavras
e uma voz tímida,
guardada lá onde nem se sabia existir.

A jovem descobriu a voz,
escondida sob as fortes ideias
e as impactantes palavras.

Do espanto da beleza descoberta,
esmoreceram as ideias e as palavras,
numa contemplação muda.

E agora,
de que adianta ter a voz
sem as ideias?
As palavras vazias
não merecem ser cantadas.

Procuro as palavras de outros,
ideias fecundas,
pra cantar com minha voz.
Antes que a voz, desanimada,
abandone a espera pelas palavras, pelas ideias...